julho 2014 |
sindicatos em ação
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Decomtec
José Ricardo Roriz Coelho
3%. Na comparação
com 2012, a queda
mais expressiva foi
no item tributação e
burocracia, cujo cus-
to extra representa-
va um adicional de
15,5%.
Na opinião do diretor do Departamento, a deso-
neração trouxe ajuda pontual a alguns setores,
mas foi insuficiente para fazer a diferença. A falta
de competitividade com produtos estrangeiros,
na avaliação do Decomtec, anulou o ganho das
medidas de política industrial adotadas pelo go-
verno. "As três principais medidas do Plano Brasil
Maior representaram uma economia de R$ 8,6 bi-
lhões para a indústria de transformação em 2012,
valor equivalente a apenas 0,2% do Produto Inter-
no Bruto (PIB)".
Em dez anos, a participação das importações no
consumo passou de 10% para 23,7%, período em
que o peso do setor industrial no PIB recuou de
18% para 13%. A conclusão do Departamento é
que o "Custo Brasil" é bastante significativo na
determinação do preço dos produtos industriais,
constituindo-se no principal fator determinan-
te da perda de competitividade da indústria de
transformação.
Outro fator que contribui para esse quadro é a
valorização do real. Por sua vez, as alíquotas de
imposto de importação são insuficientes para
eliminar a desvantagem competitiva da indús-
tria de transformação brasileira decorrente des-
ses dois fatores.
Estudo elaborado pelo Decomtec (Departamento
de Competitividade e Tecnologia), da Federação
das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp),
indica que as medidas adotadas pelo governo
Federal para reduzir o custo de produção no ano
passado, tiveram resultado muito abaixo do espe-
rado. Os números indicam que o custo "fora das
fábricas" nacionais tornaram os produtos 23,4%
mais caros que os bens importados.
Somando-se a esse "Custo Brasil" o efeito do câm-
bio, o diferencial de preços a favor dos importa-
dos subiu 33,7%, contra os 34,2% registrados no
estudo feito em 2012. A conclusão do diretor do
Decomtec, José Ricardo Roriz Coelho é de que
continua muito caro produzir no Brasil.
Nos últimos três anos a economia brasilei-
ra cresceu muito pouco - 2,7% em 2011; 1,0%
em 2012 e 2,3% em 2013. "A indústria de
transformação, que deveria dinamizar a econo-
mia está estagnada. O crescimento do PIB da
indústria de transformação em 2012 foi negativo
(-2,4%), em 2013 chegou a 1,9%", comenta Roriz.
A perda de competitividade do setor industrial
é atribuída ao "Custo Brasil" e a valorização do
real. O dinamismo do consumo não foi acompa-
nhado pela produção industrial. De 2003 a 2013,
o volume de vendas no comércio cresceu 118%,
enquanto a produção física da indústria de trans-
formação aumentou 27%.
De acordo com a Fiesp, a tributação e a burocra-
cia elevam o custo Brasil em 13,8%, enquanto os
juros encarecem o preço de saída da fábrica em
4,1% e a energia elétrica e as matérias-primas em
(
A conclusão do Departamento é
que o “Custo Brasil” é bastante
significativo na determinação do
preço dos produtos industriais,
(
foto: Helcio Nagamine/Fiesp